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Oh captain! My captain!

" But only in their dreams can men be truly free. 'Twas always thus, and always thus will be."

Oh captain! My captain!

" But only in their dreams can men be truly free. 'Twas always thus, and always thus will be."

Qua | 07.12.16

"'Cause, I built a home ... For you ... For me"

Estive ausente, mas não significa que tenha parado de escrever. Escrevi algumas coisinhas soltas, porque me apetecia, porque havia motivo ou falta dele. Hoje deixo-vos um texto que escrevi quando dormi sozinha, pela primeira vez, na minha nova casa. Um textinho bem lamechas, bem sei, mas que ainda hoje, ao reler, senti que cada palavra continua intacta, verdadeira e cheia de sentimento.

"Em inglês existem dois termos semelhantes, mas que definem coisas algo diferentes. São eles: home e house. Uma casa pode ser um lar ou ser apenas uma casa. E um lar não tem necessariamente de ser uma casa. É precisamente isto que estou a sentir hoje.

Esta casa é apenas uma casa sem ele; com ele, é o meu lar, a minha home. Porque, no fundo, ele é o meu lar. O lugar onde me sinto segura e protegida; onde me sinto amada; onde podemos até estar os dois entregues ao silêncio, mas sabemos que estamos ali, disponíveis um para o outro, no conforto da ausência de palavras, sons. 
Hoje ele não está cá em casa e a casa está imensamente vazia. Mais do que um espaço com uma pessoa a menos, é um espaço com menos cor, menos vida. Cheguei a casa e senti o coração apertado por saber que não ouviria as chaves dele na porta, não estaria sentada no sofá a vê-lo cozinhar em tronco nu, sempre tão concentrado. Por saber que o jantar hoje seria muito menos delicioso, aliás, que nem sequer haveria jantar; não é a comida em si que importa, é o gosto, o sabor que esta tem quando é cozinhada por ele. Por saber que a cama vai estar gelada e não vai aquecer tão cedo,  a almofada dele tem o seu cheiro, mas falta-me a sua nuca, onde dou beijos ternos, para não o acordar. Falta-me o corpo dele, junto ao meu; falta-me aquele abraço bom, quando prendo os meus braços ao seu tronco e fecho novamente os olhos, recusando acordar. Faz-me falta a sua voz, o seu riso, as suas piadas, a sua voz meiga. 
Percebo então que o nosso lar pode não ser necessariamente uma casa. Podemos habitar na pele, no coração de alguém e sentir que esse é o nosso lugar. De todos os sítios do mundo que já conheci (e grande parte deles foram na sua companhia), é junto dele que encontro a maior beleza. É ao seu lado que o mundo se completa e tudo ganha um novo sentido. Se existo sem ele? É óbvio que sim, mas é igualmente óbvio que com ele a existência ganha vida; respirar é mais do que um mero exercício de sobrevivência, é gratidão por estar viva e poder viver este amor. 
Às vezes pergunto-me, questiono-me sobre este presente da vida. Se realmente fomos um presente que a vida atribuiu um ao outro, este de nos cruzarmos, de unirmos as nossas vidas e construirmos uma vida em conjunto. Muitas vezes ele diz-me que somos um só e embora cada um de nós seja uma pessoa única, com a sua individualidade e singularidade (que tanto se faz sentir), entendo perfeitamente o que ele quer dizer. É esta terceira pessoa, esta terceira vida que surgiu: o nós. 
E eu quero estar neste nó(s) para sempre, que este laço nunca se desate, que dure eternamente, seja de que forma for. "
 
13/10/2016

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