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Oh captain! My captain!

" But only in their dreams can men be truly free. 'Twas always thus, and always thus will be."

Oh captain! My captain!

" But only in their dreams can men be truly free. 'Twas always thus, and always thus will be."

Qui | 14.04.16

Update literário

Ainda nem sequer vou a meio do Revolutionary Road (do Richard Yates), mas posso já adiantar-vos que estou a adorar. E este encantamento advém, em grande parte, das personagens principais - Frank e April - que estão incrivelmente bem desenhadas e articuladas uma com a outra. Sobretudo a personagem de Frank comove-me imenso e estou, constantemente, a sofrer com ele, a lutar para que as suas tentativas de aproximação e reconquista de April não sejam em vão.

A história do casal, em si, é igualmente deliciosa. Eu adoro romances, toda e qualquer história de amor, mas também gosto que essas mesmas histórias se desenrolem sob um pano de fundo real. Isto significa que mais do que felizes para sempre, eu gosto de histórias nas quais os casais vivem no mundo real, nas quais as relações sofrem oscilações, onde as duas pessoas não estão sempre em sintonia, onde se cometem erros e, essencialmente, onde as personagens têm a oportunidade de crescerem e são retratadas o mais próximo possível de nós: como humanas. É talvez por esse motivo que comecei a por de lado as leituras do Nicholas Sparks, porque ainda que este escreva romances muito bonitos e intensos, que resultam sempre em choro compulsivo por horas seguidas, acho que falta às suas histórias uma dose de realismo. É tudo muito fantasioso, muito apaixonado, faltando-lhe a beleza da vida real que, apesar de mais dura e crua, tem também o seu lado de fantástico.

É isso que eu estou a encontrar neste livro: um casal desgastado, segurado pelas pontas de um amor já quase inexistente, mas que continuam juntos, essencialmente porque a vida continua ao seu ritmo, eles têm filhos, têm uma história em conjunto da qual não podem simplesmente saltar fora. É um marido desesperado para restaurar o seu casamento, que nos vai contando a sua história de amor e nos permite conhecer o seu caminho até ao presente. É uma mulher cansada do seu modo de viver, frustrada, talvez, com as escolhas que fez e com o rumo que a sua vida tomou. Que descarrega num casamento que não é de sonho, mas no qual ainda há amor.

Se ainda nem vou a meio e já sinto todo este fascínio, nem quero imaginar quando o terminar.

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