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Oh captain! My captain!

" But only in their dreams can men be truly free. 'Twas always thus, and always thus will be."

Oh captain! My captain!

" But only in their dreams can men be truly free. 'Twas always thus, and always thus will be."

Ter | 06.09.16

When you're talkin' to yourself and nobody's home (...)

 

Uma das coisas que me faz alguma impressão na atualidade é o constante e vincado egocentrismo em que vivemos. Estamos constantemente focados na nossa vida, nos nossos problemas, nas nossas coisas, ignorando o que nos rodeia, quem nos rodeia. Às vezes, este modo off verifica-se em pequenas coisas como alguém fazer um desabafo e a nossa resposta, em vez de ser no sentido do que a pessoa nos estava a dizer, vai no sentido oposto, virando a conversa para nós próprios, em que fazemos também nós os nossos queixumes. Custa-me sempre responder a um pedido de atenção, a um desabafo com um desabafo também. Acho que se alguém está a partilhar algo comigo, merece que eu, pelo menos, respeite e valorize o que se passa no seu universo. Para tal, acho que devo a essa pessoa uma resposta focada no que acabou de me contar, que demonstre que a ouvi, que o seu problema ou a sua opinião chegaram até mim, que não fiquei indiferente.

Acontece-me frequentemente soltar um desabafo ou deixar escapar um queixume e a resposta que me chega do outro lado é completamente invertida. Subitamente já não estamos a falar de mim ou do meu problema, mas a conversa já se canalizou completamente para o lado da outra pessoa. Compreendo que isto aconteça quando aquilo que estou a dizer é realmente minúsculo, não merece atenção e  a pessoa com quem estou a falar está a viver problemas a sério, com "P" maiúsculo. Ou até quando a pessoa recorre a si própria e aos seus problemas como exemplo, como forma de me inspirar ou demonstrar que há outros pontos de vista, outras perspetivas para conhecer. No entanto, já me sinto desrespeitada quando me respondem como se aquilo que eu disse tivesse sido dito no vazio. Como se nem tivesse sido ouvido. Faz-me sentir vontade de voltar-me para dentro e conversar comigo própria, porque ao menos sei que procurarei responder-me de alguma forma.

Também me custa quando a resposta da outra parte vem em formato de silêncio. Quando falo, falo e falo e, no fim, já cansada, só quero ouvir realmente algo e nada, nem um som de uma mosca. Compreendo que nem toda a gente saiba o que dizer, que nem todos temos a capacidade de perante desabafos partir logo para um discurso de auxílio, mas acho mais sensato alguém me dizer "não sei mesmo o que te dizer!" do que me deixar entregue ao silêncio. É que, frequentemente, interpreto este silêncio de forma negativa, como se aquilo que acabei de confiar naquela pessoa tivesse sido um erro e, mais do que isso, uma maçada para a mesma. Como se a estivesse a incomodar.

É este egocentrismo que encontro nos dias de hoje. Esta visão espelhada que apenas nos permite ver a nós próprios. Estas palas que usamos e abusamos nas nossas interações sociais. Deixa-me verdadeiramente incomodada, porque quebra aquilo que uma relação, seja de amizade, parceria ou até amor, deveria ser. Uma partilha, um carregar dos problemas em conjunto para que estes, subitamente, pareçam mais leves.

Ainda recentemente vi-me confrontada com uma situação destas. Estava a desabafar sobre o momento cansativo em que me encontro no realizar da tese, pois estou a meio de uma tarefa que, embora não seja propriamente difícil, é extremamente exaustiva. A resposta nem sequer tocava no meu assunto. Focava apenas a realidade da outra pessoa, que nem sequer tinha qualquer ligação ao que eu tinha acabado de dizer. Para mim, a conversa ficou por ali, pelo menos a minha parte. Respondi, focando-me no que a pessoa disse, mas já não voltei a tocar no meu assunto. Porque para mim falar das minhas coisas é quase como um ato isolado. Não o faço com muitos, não partilho as minhas coisas a meio mundo. Quando o faço, quando aposto em alguém é na esperança de, pelo menos, receber alguma empatia. Sentir alguma compreensão do outro lado. Quando recebo o oposto, desisto e sigo o meu caminho.

Só gostava que nos déssemos mais uns aos outros. Não significa que, de repente, tenhamos de começar a viver os problemas dos outros como se fossem nossos, porque isso também não seria saudável. Mas acho que vestir a camisola do outro, nem que seja uma manga, ajudaria ambas as partes: o que desabafa, sentir-se-ia mais compreendido e aliviado e o outro, que recebe o desabafo, sentiria uma sensação de dever cumprido. Que é o que eu, quando o faço, pelo menos, sinto.

 

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