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Oh captain! My captain!

" But only in their dreams can men be truly free. 'Twas always thus, and always thus will be."

Oh captain! My captain!

" But only in their dreams can men be truly free. 'Twas always thus, and always thus will be."

Sex | 25.03.16

8. Livro comovente

Fiquei muito indecisa na minha escolha para esta categoria. Se, por um lado, me sinto tentada a eleger o Eleanor & Park novamente, por outro, a minha cabeça não pára de pensar no A culpa é das estrelas de John Green. E, porque já falei do primeiro livro referido, foi atribuir ao  A culpa é das estrelas este "prémio" de livro comovente.

Acho que este livro reúne os elementos essenciais para deixar uma pessoa desidratada depois de tanto chorar. É a temática do cancro, tão bem descrita e retratada; é a idade precoce em que se fica doente (neste caso, a adolescência), na qual são roubados os sonhos, a ingenuidade, o futuro basicamente; é o amor, mais precisamente, o primeiro grande amor (que todos sabemos que nunca se esquece não é verdade?); é a morte, sempre a pairar, como um avião prestes a aterrar, a tocar o chão, em ziguezagues imprevisíveis. E, claro, o enorme twist na história, em que se o nosso coração já estava em cacos, então esses próprios cacos transformam-se em cacos mais pequenos, sofridos, dolorosos.

Eu li este livro num ato impulsivo, numa noite a dentro. Será escusado dizer que pouco ou nada consegui dormir, porque o meu sono ficou com as personagens do livro, com a história, com todo o drama e romance. Quando vi o filme, pensei que seria mais fácil conter as emoções, porque, afinal, já conhecia bem o desfecho. Está claro que me enganei e voltei a perder quantidades avultadas de água.

É um livro juvenil, mas eu acho que acaba por chegar a todas as faixas etárias porque aborda tantas questões que são transversais à idade. Porque, no fundo, nos confrontam com os maiores desafios da vida: o estar intensamente apaixonado, mas saber que se tem um prazo de validade muito curto para viver esse amor como ele merece e como ele deseja ser vivido; enfrentar não a possibilidade, mas a factualidade da morte e o viver com a doença, que incapacita gradualmente a qualidade de vida e o bem-estar. John Green é um escritor que acerta, de olhos vendados, no nosso coração. E nos envolve numa dança de palavras e diálogos tão bem escritos e desenhados, que de repente, somos nós que estamos na história, projetamos os nossos medos, desejos, anseios para aquelas personagens. 

Qui | 24.03.16

Devaneios de um coração apaixonado

When I press an ear up to your breast
I can hear the rhythm start
Its hard to tell our beats apart

So I hope you're listening right now
Cause I can barely hold my tongue
The shit we do could warm the sun

At night
Twisted in a melting fall and sleeping with the scratching claws
Your words
Let me know you're feeling me and seeing all the things I see

I'm into you, Chet Faker

 

Não fosse a saudade tão nossa, tão tipicamente portuguesa e impregnada no nosso sangue luso, e seria tão mais fácil estar longe de ti. Mas, mesmo a quilómetros de distância, num fuso horário diferente, quando o piano começa a ser dedilhado e a música se insinua no ambiente, sei que estamos em sintonia. Numa dança invisível, mas deliciosamente coreografada, onde a intimidade nos permite prever o passo que cada um dará a seguir.

Vai abraçar o mundo, abraça-o com força como se ele te fosse fugir dos braços, do teu controlo. Com toda a firmeza. Traz essa mala cheia de memórias, histórias, momentos, imagens para que, quando colocares os teus olhos nos meus, possamos entregar-nos à beleza da partilha. Suscita em mim a curiosidade, o desejo de também ir, sê o meu guia. Vem feliz, satisfeito e preenchido. Regressa em segurança, vem ao meu encontro e, então, perceberás que nunca deixei de estar contigo.

Qui | 24.03.16

7. Livro que não conseguiste acabar (The walk of shame!)

Este é o item da vergonha. Para mim é, porque não acabar um livro é algo que me custa muito. Quando começo a ler, gosto daquela sensação de não conseguir parar, de estar sempre a magicar o que irá acontecer a seguir, de ansiar pela hora em que posso devorar mais algumas páginas. Quando um livro não me prende ou não me cativa minimamente, começo a olhar para ele cada vez mais de lado, a adiar a leitura, a preencher o tempo livre com outras actividades, até que o arrumo na estante (longe da vista, longe do coração) e assumo que ok, a leitura não vai acontecer.

O livro que conquista este lugar é O Retrato de Dorian Gray de Oscar Wilde. Não sei o porquê, mas este livro simplesmente não criou ligação nenhuma comigo. Ou eu com ele, vá lá. De vez em quando, ainda olho para ele (quando ando há procura de algum livro para iniciar uma nova leitura), mas acabo sempre por revirar os olhos e preferir reler um livro já antigo, que tentar uma nova leitura. E ainda me custa mais por ser um clássico. Faz-me sentir um E.T. vindo de outro planeta.

Enfim, culpada me confesso.

Qui | 24.03.16

Poupar para viajar

Uma das minhas maiores paixões (e acredito que de muitas outras pessoas) é viajar. E para o fazer, gosto de pagar tudo do meu bolso, sem sobrecarregar os meus pais com os meus luxos. O que implica uma enorme gestão do dinheiro, sobretudo porque ainda não trabalho (a não ser no Verão) e tenho de organizar a semanada (que é o dinheiro que os meus pais me dão para me orientar durante a semana e que utilizo para pagar despesas, transportes, etc.) para conseguir chegar ao fim-de-semana com algum dinheiro para por de parte.

Ajuda eu ser uma pessoa naturalmente poupada. Acho que as únicas coisas em que perco a cabeça são mesmo as viagens e os livros; para comprar tudo o resto faço um esforço abismal, porque ainda que tenha muita vontade de comprar, a minha consciência faz soar os alarmes de emergência e acabo sempre por sair da loja de mãos a abanar. Às vezes custa, porque me obriga a fazer escolhas. Por exemplo, para pagar a minha acção de formação, abdiquei de algumas saídas e jantares com amigos, porque o dinheiro não é elástico e não queria estar a pedir mais aos meus pais nem queria mexer nas minhas poupanças.

Também não sou uma pessoa nocturna nem um animal de vícios: não gosto de sair à noite e quando o faço, acabo sempre por me ficar pelo café ou pelo chá, porque não aprecio álcool e, felizmente, nunca fumei nem tenciono faze-lo. Se pensarmos bem, pequenos vícios do quotidiano são verdadeiras máquinas de fazer dinheiro. Ou, neste caso, de o perder.

Diariamente, fujo sempre dos transportes. Primeiro, caminhar só traz vantagens à minha saúde. Sobretudo na faculdade, em que passamos muito tempo sentados e com menos tempo para dedicar à prática de exercício físico. Se não andasse um pouco acho que já tinha virado cachalote, sinceramente! E, em segundo, os transportes públicos sugam a energia, a boa disposição de qualquer pessoa. Ou chegam atrasados, ou chegam cedo demais quando ainda não estamos na paragem. Vão lotados, com pessoas a reclamar ou a espirrar/tossir para cima de nós. E custam dinheiro! Portanto, junta-se o útil ao agradável e pernas para que vos quero! Além disso, não há nada melhor que uma boa caminhada para espairecer depois de um dia de trabalho ou para começar bem o dia. Às vezes é durante esse tempo que organizo na minha cabeça tudo o que tenho para fazer.

Mas mesmo consciente e poupada, tenho noção de que às vezes compro desnecessariamente. Sobretudo no supermercado, em que compro muitas vezes coisas para a casa da faculdade. Estou determinada a mudar alguns dos meus erros como, por exemplo, comprar shampoos/amaciadores sem acabar primeiro os que estou a utilizar. Aliás, esta medida de utilizar até ao final e só depois comprar vai ser aplicada a tudo, desde produtos alimentares a higiénicos. Porque não só é um gasto desnecessário de dinheiro como também leva a um acumular de coisas que dispenso, honestamente! (às vezes o meu quarto parece um armazém de um supermercado, cheio de stock!) Portanto, acho que vou começar a fazer listas daquilo que é estritamente necessário comprar.

 

Conhecem mais algumas dicas/formas de poupar dinheiro? Se sim, partilhem comigo! :)

 

Qua | 23.03.16

6. Livro mais curto que já leste

A leitura deste livro foi uma coisa curiosa. Aconteceu num belo dia, em que estava na companhia do meu querido namorado, numa Bertrand. Estávamos nuns sofás da loja, que permitem que os clientes estejam a folhear os livros e revistas. Uma vez que o meu namorado estava aficionado numa revista, decidi deambular um bocado pela loja à procura de algum livro que me chamasse à atenção. Deparei-me com o Gratidão do Oliver Sacks.

Já tinha ouvido falar deste senhor várias vezes e a curiosidade de ler alguma coisa dele já existe há muito tempo, então peguei no livro. Primeiro, fiquei surpreendida por o livro ser tão fino e pequeno, mas depois compreendi o motivo. Basicamente este livro é  um conjunto de cinco ensaios que o Oliver Sacks escreveu quando descobriu que tinha uma doença fatal e que lhe restava muito pouco tempo de vida (meses, na verdade). Conquistou de imediato a minha atenção. Sentei-me ao lado do meu fofinho e, quando dei por ela, estava na última página. Arrepiada com a intensidade dos ensaios de Sacks, completamente maravilhada com a sua escrita, mas sobretudo com a sua postura perante a finitude da vida. A morte intriga-me. Aliás, acho que intriga todos os seres humanos, que somos seres conscientes e sabemos que a nossa existência não é eterna e um dia, a morte tocar-no-á. O Oliver Sacks também o sabia, mas enfrentou a fatalidade que o confrontou com uma enorme dignidade e coragem. Olhos nos olhos, sem deixar que o medo o paralisasse perante a última oportunidade que a vida lhe estava a oferecer. Ainda que a descoberta de uma doença na fase terminal seja um acontecimento avassalador, porque basicamente apressa a nossa ânsia de viver, dado que sabemos que o prazo de validade se encurtou drasticamente, também é uma oportunidade para focar a atenção no que realmente importa e nos faz felizes. Foi o que Sacks fez. Grandiosamente, como ele sempre foi.

Portanto, este foi o último livro que li e também o mais curto (penso que não tem mais do que 45 páginas). Foi também o livro que li de forma mais descarada, dado que o fiz na livraria e no final não o comprei. Mas, depois de ler esta obra de Sacks, uma pessoa fica com vontade de viver no limite.

Qua | 23.03.16

"Man still bears in his bodily frame the indelible stamp of his lowly origin."

A ideologia levada ao extremo é sempre o ingrediente perfeito para cometer atrocidades. A história é uma prova muito clara disso. E o dia de ontem, pelos motivos tristes que todos conhecemos, entra para o álbum dos horrores que ilustra o nosso passado e, infelizmente, o nosso presente, enquanto espécie humana, neste planeta.

O terrorismo aterroriza-me, cria em mim uma enorme descrença face ao que é isto, afinal, de ser humano. Ter uma mente pensante, uma consciência, a capacidade de comunicar usando a linguagem verbal deveriam ser as ferramentas que nos dariam vantagem neste mundo e permitiram a nossa sobrevivência. Mas fazemos o oposto. Descomunicamos, não conseguimos interpretar a mesma informação ou, pelo menos, tolerar as diferenças de compreensão. Somos movidos por emoções, que nos auxiliam a pensar e a arrumar memórias ternurentas que definem quem somos. Mas são também essas emoções desmesuradas, cheias de fanatismo que accionam o motor da malvadez.

Sempre que a violência e a morte são a resposta, sinto que estamos a regredir. Ontem a Europa voltou a ser palco de um espectáculo dramático, sangrento e decepcionante. Pessoas inocentes a quem lhe foi retirado o direito à vida, outras tantas que se viram perder familiares, amigos. E ainda todas aquelas que viveram o pânico, o desespero e o medo na pele. E todos nós que, ainda que à distância, também nos deixamos levar pela corrente de sentimentos, partilhamos medos e ansiedades, sofremos com os que perderam a vida e estão a lutar por ela, sentimos a impotência e a frustração de não termos conseguido fazer nada para evitar esta situação.

Ainda me custa acreditar que este cenário se voltou a repetir. E custa ainda mais saber que está longe de findar. 

Ter | 22.03.16

5. Livro mais longo que já leste

O livro mais longo que li foi, se não estou em erro, O Problema Espinosa do Yalom. E digo-vos que este livro foi uma surpresa muito feliz. Tinha vontade de o ler, mas andava a colocar outras prioridades literárias à frente, até que me ofereceram e decidi mandar-me a ele.

Demorei cerca de um mês a lê-lo, não apenas pelo seu tamanho, mas pela história em si. Uma história que se passa em dois séculos diferentes e que une dois homens muito diferentes: Bento Espinosa e Alfred Rosenberg. Se Espinosa foi um dos filósofos judeus mais influentes da história, tendo ilumina-lo muitos filósofos posteriores, Rosenberg foi um verme histórico, um dos braços direitos de Hitler na conspiração do plano contra os judeus. A maneira como Yalom construiu a história destas duas personagens e as interligou no tempo é simplesmente deliciosa e obra de génio. Imagino o trabalho de pesquisa exaustivo que o escritor teve de fazer para conseguir produzir esta história, que está recheada de memórias e factos históricos. É uma viagem no tempo às origens da Segunda Guerra Mundial, que nos descreve com muita clareza a perseguição contínua na história que foi feita ao povo judaico. Aprende-se imensas coisas sobre a cultura judaica, que me fascinaram. Também se compreende as ideias de Espinosa e os motivos pelos quais foi expulso da comunidade judaíca. Era, de facto, um homem especial e um visionário, que estava muito à frente das pessoas do seu tempo. Por isso, não só é uma obra de ficção, como acaba por ser também bastante didáctica, ilustrando-nos duas épocas distintas, mas que retratam como a história é cíclica, como o passado e o futuro se unem e como os erros se repetem. As 387 páginas não assustam. Pelo contrário, nasce o desejo que se multipliquem dada a delícia que é este livro.

Ah, e uma curiosidade: Bento Espinosa nasceu na Holanda, mas no seio de uma família portuguesa, pelo que também se considerava português. É considerado um dos maiores filósofos portugueses de sempre - vá, leiam o livro por orgulho à pátria! :)