Ler a Diana e sentir-me reduzida a uma enorme insignificância neste planeta. E depois sentir-me ainda pior, por me focar no que me faz sentir e não no que transmite, o que retrata a grande egocêntrica que sou.
Mas a verdade é que este sentimento de inutilidade, esta sensação de aperto no peito e nó na garganta surgem porque uma coisa é saber que existem crianças em condições precárias e desumanas, outras é conhece-las pelos desabafos e retratos da Diana. Aqueles sorrisos, aqueles olhinhos brilhantes, aqueles abraços intensos e cheios de amor de seres tão pequeninos, mas, sem eles terem consciência, tão grandiosos!
Senti necessidade de escrever depois de ler este último texto da Diana. Ainda bem que existem pessoas como ela, como os outros voluntários e voluntárias de quem a Diana fala e de tantos outros com quem, certamente, se cruzou nesta aventura. Que coragem. Que força. Só gostava de um dia ser um bocadinho do que estas pessoas são. Parabéns pelo vosso trabalho
Saudades dos tempos em que a palavra férias significava realmente isso. Estar de férias, no bem bom, sem ter preocupações nem trabalhos. Mas isso acaba quando se entra na faculdade. Estas férias tenho tantos artigos para ler e trabalhos para iniciar, que não sei se não era melhor estar a ter aulas. E o pior é que depois desta semana, o semestre começa a apertar e todas as semanas têm os seus brindes, que é como quem diz, trabalhos, frequências, apresentações, relatórios, etc e etc.
E, para tornar tudo mais emocionante (adoro viver no limite) (só que não!), inscrevi-me hoje numa acção de formação de 9 horas intensivas. Voluntariamente. Não, não tinha uma arma apontada à cabeça. É mesmo porque, apesar de todo o trabalho, quando se estuda uma área da qual se gosta muito e que nos surpreende pela positiva a cada ano que passa, vale a pena investir tempo e dinheiro. Além disso, o saber não ocupa lugar não é? Só rouba dinheiro e tempo! Mas isso são pormenores ;)
O cinema sempre me inspirou. Os que me são próximos têm por hábito dizer que só gosto de filmes estranhos e engimáticos. Eu não concordo. O que eu gosto mesmo é de um filme que me coloque a reflectir, que me ponha o coração aos solavancos, que me deixe a suspirar e a sonhar. Gosto de uma boa história, sendo que esta pode ser a coisinha mais simples de sempre. Mas desde que seja bem contada (neste caso, bem interpretada), conquista-me a alma. E é precisamente pela simplicidade e pela autenticidade que a trilogia "Before Sunrise", "Before Sunset" e "Before Midnight" ocupa um lugar cativo no meu top de filmes preferidos.
Um filme tão simples, em que só temos acesso a duas personagens - Jesse e Celine - que caminham por cidades europeias encantadoras, enquanto conversam e se conhecem, trocam ideias e sentimentos. Cada filme desta trilogia marca um momento diferente da vida e do próprio amor, uma perspetiva que me agrada bastante. Podemos conhecer esta história de amor, bem como o desenvolvimento pessoal de cada personagem, numa visão longitudinal. Começamos a descoberta na juventude, onde os sonhos são o motor da vida. O mundo, a vida abrem-se perante os protagonistas, tudo é possível, há tanto para explorar e conhecer. Tanto para descobrir, que se conhecem e encontram o amor. Uma história de amor tão bem construída, com a adrenalina e a timidez próprias de quem se está a conhecer - a si e ao outro. Depois entramos na fase adulta, no alcance do script que todos temos traçado - a criação da família, o apogeu da carreira. Mas nem sempre nos superamos como sonhamos e ambicionamos, o que pode ser um terreno fértil para nascer o arrependimento, a frustração, os pensamentos agonizantes do "e se?". A idade adulta é a morte da inocência. O mundo já não parece tão possível de agarrar. Os sonhos transformam-se em planos e objetivos. A paixão fogosa também esmorece e dá lugar ao amor sólido, à intimidade. Mas sem nunca se perder o desejo do outro e da sua companhia, porque amor sem intimidade, é amor vazio.
Esta obra cinemática é mais do que um mero romance; há, sem dúvida, muito amor entre as duas personagens. Um amor tão forte que sobrevive no tempo e às adversidades. Mas há profundidade também. Os diálogos, as trocas de ideias, o jogo da sedução. É como assistir ao parto da paixão: vemo-la surgir, primeiro devagar, pé ante pé, e depois com toda a sua força, transparência e intensidade. Por isso é que me inspira tanto. É um romance que se constrói ao longo dos três filmes; em que as personagens, tão bem desempenhadas, fluem naturalmente, conhecem-se a fundo, o que já não existe nos dias de hoje. Trocam sonhos, desilusões, crenças e memórias. Deixam-se levar pelas emoções, tornam-se cúmplices. Nem tudo é perfeito e colorido, também somos confrontados com as falhas de ambas as personagens e as próprias se confrontam. Mas isso só torna a obra mais bonita, porque lhe dá realismo. Faz-nos ver que quando duas pessoas se amam e constroem uma relação em conjunto, estão a percorrer o caminho da vida lado a lado. Estão a crescer uma com a outra, mas também por si, pelo que os erros fazem parte do processo. E que belo é errar com alguém ao nosso lado que nos orienta ou que normaliza as falhas, compreendendo-as e aceitando-as.
Uma vez uma senhora disse-me que a melhor maneira de escolher (enfim, como se fosse um ato de mera escolha!) um companheiro para a vida é ir ao encontro dos seus defeitos. Fiquei baralhada, porque sempre me haviam dito que as virtudes é que nos conquistam. Ela rapidamente me esclareceu: há defeitos com os quais, por muito que se ame, não conseguimos conviver e isso pode matar todo o amor. E tinha toda a razão. O amor mais bonito é aquele que nos dá liberdade de sermos quem somos e que nos respeita e tolera, que aumenta de tamanho e intensidade até por sermos assim. Este conjunto de filmes ilustra isto tão bem. Ora atentem nesta passagem:
When you talked earlier about after a few years how a couple would begin to hate each other by anticipating their reactions or getting tired of their mannerisms-I think it would be the opposite for me. I think I can really fall in love when I know everything about someone-the way he's going to part his hair, which shirt he's going to wear that day, knowing the exact story he'd tell in a given situation. I'm sure that's when I know I'm really in love. - Celine
Por tudo isto e muito mais é que esta obra me inspira. Desdobra uma história de amor ao longo do tempo, mostrando-os como amar é um processo contínuo, com oscilações (umas mais abruptas do que outras) e que anda a par com a vida, bem com o desenvolvimento e crescimento de cada uma das partes. E mais não conto para não correr o risco de ser spoiler! Mas façam um favor a vocês próprios: vejam estes filmes na sua sequência natural e deixem-se levar. Prometo-vos que não se vão arrepender! :)
O 4ª item do desafio de "Uma paixão chamada livros" consiste em nomear um livro que me desiludiu. Acho extremamente difícil encontrar um livro ao qual possa atribuir esta categoria, sobretudo porque a palavra "desilusão" tem, para mim, uma carga emocional muito negativa e pesada. Poucas vezes utilizei esta palavra na minha vida, porque sempre a reservei para as piores situações; é como a palavra proibida, emoldurada e protegida a vidro, o qual só posso quebrar em caso de emergência. Portanto, podem imaginar a dificuldade que é encontrar um livro que preencha estes requisitos.
Depois de muito reflectir, penso que o livro "A psicologia do amor" do Yalom me desiludiu um pouco. Não é que o livro não tem sido incrivelmente bom, porque foi, não fosse ele escrito pelo Yalom que, basicamente, tal como Deus está para o céu, está o Yalom para a escrita (no meu entender, está claro!). Mas achei que o livro não tinha o ritmo melódico ao qual o Yalom me habituou. Fiquei com a sensação de que foi escrito impulsivamente, num momento quase catártico, em que a vontade do escritor foi de depositar as suas vivências no papel e não tanto em alcançar uma harmonia literária. O final do livro é como um murro no estômago, porque termina de repente, do nada, quando ainda estamos à espera de mais uma reflexão ou, pelo menos, uma espécie de integração de tudo que lemos até então. Quando voltei a página e verifiquei que não existia mais texto, fiquei desolada. Ainda não era o momento de dizer adeus. No entanto, "desculpo" o meu tão adorado escritor, porque foi um dos primeiros livros que escreveu e, desde aí, sem dúvida que a sua escrita se aprimorou e todos os livros posteriores são obras que recomendo seriamente ler.
Um outro aspecto que me desiludiu foi a edição do livro. Aqui a culpa não é do escritor, mas sim da editora do livro. A meio começamos a encontrar bastantes gralhas ortográficas, que deveriam ser facilmente detectadas num exercício de revisão. Ok, erros acontecem, mas penso que para quem está a ler, encontrar erros tão básicos acaba por quebrar o prazer da leitura, que deve ser corrida e não constantemente interrompida pela estranheza da linguagem.
Ainda que tenha sido um livro para o qual as minhas expectativas eram muito altas e me tenha deixado um bocadinho decepcionada, não deixa de ser uma obra bem conseguida, com capítulos extraordinários e que comprova o talento do Yalom: não só enquanto psicoterapeuta, mas também como escritor.
Acho que foi mesmo A Lua de Joana, da Maria Teresa Gonzalez. Como já disse anteriormente, foi e é um livro que me marca sempre de forma diferente a cada nova leitura. Ainda que já conheça a história, as suas personagens e características, acabo sempre por me identificar com aspectos que outrora me passaram despercebidos, por compreender melhor determinadas atitudes e comportamentos de algumas personagens que antes não me eram tão perceptíveis. Por exemplo, lembro-me de ler o livro e ser bastante crítica e dura com o pai da Joana, mas hoje já não consigo ler o livro sem me por na sua pele. Ou em relação à avó Ju ... inicialmente entristecia-me apenas o desfecho, mas hoje sinto uma empatia desmesurada pela perda da Joana, porque eu própria, entre as várias releituras, passei pela mesma situação. Enfim, para mim, é uma obra literária que nunca conseguirei esquecer. Sobretudo pela simplicidade com que foi escrita que, como já disse também, me arrepia pela sua beleza. A capacidade de escrever bem com poucos artefactos é das coisas que mais admiro num escritor.
Uma das coisas mais "difíceis" com que temos lidar quando estamos na faculdade e, por conseguinte, passamos a viver fora, é o voltar a casa. E não me refiro exclusivamente ao voltar definitivo, mas também ao voltar temporariamente (por exemplo, agora nas férias da Páscoa). É uma tormenta esta adaptação, ainda que seja por meia dúzia de dias! Estou em casa desde sexta-feira à noite e já discuti, sem exagerar, umas cinco vezes com a minha mãe por coisas tão ridículas, que até podia fazer um filme de comédia com isto. Mas a verdade é que quando moramos sozinhos, criamos os nossos próprios hábitos, as nossas rotinas e aprendemos uma coisa muito simples e que dá um enorme prazer que é o não dar satisfações a ninguém. E também não temos ninguém, no pano de fundo, a criticar e monitorizar tudo o que fazemos ou, neste caso, que deixamos de fazer. Isto choca, inevitavelmente, com as rotinas familiares. Se existem coisas boas como não ter de cozinhar, não ter de estar a pensar no que vou descongelar para o almoço/jantar, também existem as desvantagens. Uma delas (e a que mais me irrita) é que, a cada coisinha que comento (e nem é tom de crítica, às vezes são mesmo só meras observações) e que irrita alguém (vai-se lá saber porquê!) cá em casa, o discurso é "Se não estás bem, podes ir/voltar para o *introduzir local onde estudam*". Bem, eu quando ouço isto, das duas uma: ou me rio e digo que vou mesmo, porque lá é que se está bem ou então viro costas, porque a vontade é de gritar. Mas existem outras: não se consegue dormir até mais tarde, porque há sempre alguém a acordar-nos ou a recriminar-nos por nos termos levantado tarde; a maneira como fazemos as coisas é sempre, mas sempre sempre sempre mesmo, a pior. Por exemplo, se fazemos o estrugido do arroz de maneira x, está mal! Da maneira y é que está bem! Sendo que a maneira y é a maneira cá de casa, estava-se mesmo a ver, não é?
Esta colisão de hábitos, rotinas e comportamentos tira-me realmente do sério nestes primeiros dias de reajustamento. Sinto que este já não é o meu habitat natural e, no fundo, já não é. Porque quando se vai morar sozinho, e sobretudo quando essa mudança se deve à faculdade, existe um acelerar no crescimento. Não é que as pessoas que estudem na faculdade e morem com os pais não cresçam também, mas acredito que a experiência é muito diferente da dos que além de terem de viver a entrada numa escola nova, com pessoas desconhecidas, estão também numa cidade que não é a sua, numa casa/quarto novo e têm de se desenrascar sozinhos. Enquanto, por exemplo, eu saio da faculdade e sei que tenho de cozinhar, lavar a loiça, tratar de isto e aquilo da casa, os meus colegas saem da faculdade sabendo que chegam a casa e a comida está na mesa, a mãe e o pai podem ir busca-los se houver necessidade e tudo é igual ao que sempre foi. Atenção que não os critico, pelo contrário, de certa forma às vezes até invejo esta facilidade. E sei que nem todas as realidades são iguais: tal como há gente que começa a morar sozinha e se alimenta de pizzas e lasanhas e os lençóis da cama são os mesmos desde o 1º ano de faculdade, também tenho bons amigos que fazem quase tudo (desde cozinhar, passar a ferro, limpar) na casa das suas famílias.
É curioso como mudamos e como isso tem efeito nas pessoas que nos são próximas. Por mais que os pais se sintam felizes e orgulhosos pelo crescimento dos filhos, nunca perdem aquela veia autoritária, aquele sentido de que ainda somos as suas crias. E é por isso que este regressar a casa custa tanto, a meu ver. É que se, por um lado, os filhos crescem e reclamam a sua autonomia, por outro, os pais (ainda) não conseguem interiorizar que o ninho caminha para o esvaziamento.
Mas também há uma verdade: em Roma, sê romano! Portanto, em casa dos pais, prevalecem as suas regras e rotinas, as suas maneiras e hábitos. Nem que seja para não se proporcionar a 3ª guerra mundial! (pelo menos é disto que me tento convencer durante a minha estadia cá)
Coloco este livro nesta categoria por dois motivos:
1º - não me ocorreu nenhum livro que tivesse, alguma vez, realmente detestado;
2º - detestei este livro pelo que a autora do mesmo fez no final da história!
Li este livro num só dia, metida no quentinho da cama, com a chuva forte a bater na janela. A escrita tão fluída, a história tão comovente, as personagens deliciosas fizeram-me chorar ao longo de toda a leitura, mesmo antes de eu ter chegado à derradeira página final. Foi um daqueles romances que conquistou o meu coração de uma só vez e fiquei eternamente rendida à paixão destes dois jovens, tão diferentes e, inacreditavelmente, tão semelhantes. Acontece que a Rainbow Rowell deve ter feito, certamente, um pacto com o diabo. Nesse pacto, o diabo disse-lhe: terás uma vida eterna, com tudo do bom e do melhor, mas terás de escrever um final que deixará milhões de fãs desconsolados por todo o universo. E a Rainbow aceitou, de bom grado, porque é a única justificação plausível que eu encontro para ter escrito um final tão aberto, tão agonizante como este. Eu até gosto deste tipo de desfecho, a sério, não sou totalmente contra que a resposta final fique a pairar na nossa imaginação. Mas acontece que gosto de ter sempre algumas pistas que me levem a acreditar que o final seguiu determinada direção, ainda que não seja totalmente explícito. Não é isso que acontece neste livro. Este livro sugou toda a minha energia emocional porque chorei oceanos perante o final em suspenso e depois passei o restante tempo à procura de o decifrar na internet. Cheguei à mesma conclusão: a nenhuma. A minha única esperança reside na crença de que a autora está a preparar um segundo livro e que ainda vamos ler muito sobre a Eleanor e o Park. Acendo velas em Fátima para que esta crença se concretize! E é por este desespero, esta necessidade de ter um desfecho que considero este livro detestável. Ele é apaixonantemente detestável, porque mesmo com este término arrebatador de corações, ele vale totalmente a pena.
Este foi um livro que comprei sem pensar muito no assunto, não tinha qualquer desejo a priori de o ler. Acontece que quando o comecei a ler fiquei completamente fascinada com a escrita de Daniel Sampaio e com a história em si. Um tema - o suicídio - que tanto fascina, como repele as pessoas, a mim cativou-me por completo. A maneira como o escritor consegue demonstrar a complexidade da temática, ilustrando que quando acontece, arrasta tudo e todos para uma espiral com descendência negativa. Já para não falar que a alternância de discursos - ora estamos na pele do psiquiatra, ora estamos na pele do jovem adolescente - é brilhante e capta a verdadeira essência de ambas as personagens. É daqueles livros que releio sempre que posso, porque nunca deixa de me fascinar e comover.
A Lua de Joana - Maria Teresa Maia Gonzalez
Ora bem, este é um clássico juvenil que nunca conseguirei deixar de incluir na minha biblioteca e no meu altar de livros preferidos. Li-o quando ainda era muito novinha e lembro-me de ficar incrédula com o final, ao ponto de não ter acreditado nele. No dia seguinte, perguntei a todos os meus colegas na escola se o final era mesmo aquele. E era. E foi brilhante. Desde aí, releio-o quase todos os anos, porque a cada ano de vida (e sempre com mais alguma maturidade) consigo le-lo de uma perspetiva diferente, sem nunca deixar de viajar pelo universo de emoções que este livro nos proporciona. É daqueles livros que nos ensina tanto e está escrito de forma tão simples, mas tão apaixonante e tocante.
Os filhos da Droga - Christiane F.
Outro clássico juvenil que me prendeu desde a primeira página. É um livro intenso, cuja magnitude aumenta porque sabemos que se trata de uma história real. As personagens existem (ou, em alguns casos, existiram) e são de carne e osso, pelo que torna a leitura ainda mais viciante e os sentimentos mais intensos. Confesso que foi daqueles livros que me envolveram de tal forma que mesmo depois de ter terminado de o ler, fiquei com o livro na cabeça por dias e dias seguidos. Pesquisei sobre as personagens abordadas, procurei para saber como estão na atualidade, enfim, fiquei mesmo "apanhada". Além disso, acresce o facto de ser um testemunho real e muito bem descrito sobre a viagem rápida até à degradação, que as drogas proporcionam.
Mentiras no Divã - Irvin Yalom
Nem consigo reunir palavras para descrever este livro, porque tudo o que poderei escrever será sempre insuficiente. É uma obra apaixonante, com os ingredientes certos, em doses certas. Só o Yalom consegue escrever assim, com esta genialidade e toque de mestre. É um thriler misterioso, com personagens muito bem construídas, que nos surpreende a cada página que lemos. Existe um ritmo, quase que uma melodia nas palavras de Yalom, que consegue desenhar uma história fascinante que ilustra os desafios da psicoterapia.
Até que o amor nos separe - José Gameiro
Não podia faltar um romance nesta lista, não fosse eu uma apaixonada e uma devoradora deste tipo de literatura. No entanto, este não é um romance qualquer, convencional e ao qual as pessoas estão habituadas. Trata-se de uma história de desamor, que culmina na restauração do amor. Um casal, com todas as falhas, disfuncionalidades que existem nos romances reais, do dia a dia, e que procura voltar a encontrar o amor de outrora. Gostei muito deste livro precisamente pela dose de realidade e transparência da história, que não deixa de falar de amor e afetos somente por também abordar erros e defeitos de ambas as partes. Ele não é um príncipe montado num cavalo branco e ela também não é, de todo, uma princesa à espera de ser socorrida. As personagens estão muito bem construídas, sobretudo por serem um espelho de todos nós: humanos, com todas as nossas fragilidades e potencialidades. Além disso, fez-me pensar na intransigência com que, por vezes, julgamos as atitudes e comportamentos sem os tentarmos, primeiro, compreender em todo o seu contexto.
Uma das coisas que mais gosto de fazer são listas. Às vezes divirto-me mais a faze-las do que propriamente a cumpri-las, mas dão-me sempre aquela sensação de ter objetivos e não há nada melhor do que cumprir um dos itens da lista e fazer o respetivo check. Assim sendo, decidi elaborar uma lista de livros para 2016, que pretendo atualizar sempre que me surgirem novos interesses literários.
Os nomeados são:
F. ScottFitzgerald - The Great Gatsby
F. Scott Fitzgerald - Tender is the night
F. ScottFitzgerald - The Beautiful and the damage
Viktor Frankl - O homem em busca de sentido
José Saramago - Memorial do Convento (este é mais reler, uma vez que já o li há alguns anos atrás)
Daniel Sampaio - Ninguém morre sozinho
Irvin Yalom - Chamem a Polícia
Marco Aurélio - Meditações
Oliver Sacks - The man who mistook his wife for a hat
Oliver Sacks - Musicophilia
Alexandre Dumas - O conde de monte cristo
E uma vez que o tema do dia são livros, decidi realizar um desafio que vi no blog My cup of tea (excelente blog, btw!) e que tem o nome de "Uma paixão chamada livros". São 41 itens muito interessantes (alguns de difícil resposta!) que acredito que me darão muito gozo responder:
1. Top 5 dos livros lidos
2. Livro detestado
3. Livro que leste mais vezes
4. Livro que te desiludiu
5. Livro mais longo que já leste
6. Livro mais curto que já leste
7. Livro que não conseguiste acabar
8. Livro comovente
9. Livro hilariante
10. Livro perturbante
11. Livro inspirador
12. Livro para o qual escreverias uma sequela
13. Livro em cujo universo habitarias
14. Livro clássico favorito
15. Livro que custou a ler
16. Livro que marcou a infância
17. Livro mais caro da tua estante
18. Livro do qual nunca te irás separar
19. Colecção (saga) favorita
20. Sequela que nunca devia ter sido impressa
21. Melhor citação (diálogo)
22. Melhor citação (descrição)
23. Considerando que o primeiro livro da tua estante é a letra A, o segundo a letra B e por ai adiante, tira o livro correspondente à primeira letra do teu nome. Depois abre na página correspondente à soma do mês e dia em que nasceste. Qual é o quarto parágrafo?
24. Top 5 dos escritores favoritos
25. Top 5 das escritoras favoritas
26. Género literário favorito
27. Personagem literária favorita
28. Personagem literária que gostarias de conhecer
29. Personagem literária que adoras odiar
30. Personagem literária que nunca devia ter sido criada
31. Personagem literária secundária que merecia um livro só dela
32. Personagem literária para a qual escreverias um livro
33. Personagem literária que não quererias encontrar num beco
Quaisquer referências ao Clube dos Poetas Mortos são pura coincidência. São, na verdade, voluntárias e conscientes, não fosse este um dos meus filmes preferidos e daqueles que nunca é demais rever. Achei que seria um bom prenúncio para este blog estar mergulhado no espírito desta obra cinemática, uma vez que vai ao encontro do que pretendo que este espaço seja.
Hoje em dia muita gente cria blogs. Todos os dias nascem blogs com projectos de vida traçados. Fazem-se workshops para que as pessoas aprendam a ter blogs de sucesso e a rentabiliza-los. Não tenho nada contra este tipo de iniciativas, mas chocam um pouco com a minha visão do que é um blog. Não olho para este recém-nascido como uma mina de ouro, mas antes como um espaço onde desejo falar de livros, filmes, séries, pensamentos e divagações, músicas. Um lugar onde possa registar tudo aquilo que me fascina. Um cantinho só meu, sem necessidade de fingimentos (o jeito que o anonimato dá!) e máscaras. Já será uma vitória, um sucesso de milhões se conseguir ser assídua na minha escrita. Esse sim, é o meu maior desafio: dedicar-me a este espaço e fazer nele o reset total das minhas preocupações e focar-me nas minhas paixões, que já mencionei anteriormente.
Posto isto, dou por inaugurado este blog! Que seja inspirador, apaixonante e electrizante como um verdadeiro Captain deve ser! (ou, vá lá, um bocadinho de nada cativante)